KIT TPM VOITTO · FASE PLANEJAR — PASSO 4 · CONDIÇÃO BÁSICA E CAUSA RAIZ

WHY-WHY + ANÁLISE P-M

Do fenômeno à causa raiz — a cadeia de porquês com evidência em cada elo, e a análise P-M quando a perda crônica não fecha

Como usar

  1. Só entre aqui depois de restaurar a condição básica (P06): em equipamento degradado, a cadeia de porquês persegue sujeira em vez de causa.
  2. Parta de uma causa confirmada no teste de hipóteses (P07) — uma cadeia por causa; não misture modos de falha na mesma cadeia.
  3. Pergunte "por quê?" sucessivamente e preencha a evidência de cada elo: medição, foto, histórico de falhas do CMMS. Elo sem evidência é suposição e volta pro teste (P07).
  4. Pare quando chegar a uma causa acionável que, bloqueada, impede a recorrência — e teste a cadeia de volta com "portanto": leitura invertida sem sentido = elo quebrado.
  5. Se a perda for crônica e o Why-Why não fechar (o mesmo fenômeno volta mesmo com as causas bloqueadas, ou nenhum elo se sustenta em evidência), use a análise P-M do bloco 3.
Fenômeno analisado
Equipe da análise
Data

1. Why-Why — cadeia 1

cada resposta é o ponto de partida da próxima pergunta; cada elo tem evidência
0

Fenômeno (com dado)

Ex.: travamento da corrente de tração do tracionador da extrusora 2 — 8 paradas/mês, 21 h/mês

Evidência

Ex.: histórico de falhas do CMMS, 5 meses

1

Por quê?

Ex.: porque os elos da corrente sofrem desgaste acelerado e prendem na coroa

Evidência

Ex.: alongamento medido 3× acima do catálogo

2

Por quê?

Ex.: porque a corrente opera seca, sem filme de lubrificante

Evidência

Ex.: limpeza inicial (P06) — etiqueta vermelha 01, foto 01

3

Por quê?

Ex.: porque o ponto de lubrificação está atrás da proteção e não é alcançado pela rota

Evidência

Ex.: rota de lubrificação × foto do ponto obstruído

Causa raiz 1

bloqueá-la impede a recorrência

Ex.: a rota de lubrificação nunca foi revisada depois que a proteção foi instalada — condição básica não mantida (interface AM). Bloqueio: ponto de lubrificação remoto + rota revisada + CIL por turno

Evidência

Ex.: 30 dias lubrificando pelo ponto remoto — zero travamento

2. Why-Why — cadeia 2 (segunda causa confirmada)

modo de falha diferente = cadeia própria
0

Fenômeno (com dado)

Ex.: falha prematura do rolamento do eixo superior — 6 paradas/mês, 17 h/mês, com pico nas 48 h após a troca

Evidência

Ex.: histórico de falhas do CMMS por data de troca

1

Por quê?

Ex.: porque o rolamento é montado desalinhado e trabalha sob carga radial fora do projeto

Evidência

Ex.: desvio medido de até 0,8 mm em 6 trocas

2

Por quê?

Ex.: porque a troca é feita sem gabarito de alinhamento e sem torque padrão — "no aperto do mecânico"

Evidência

Ex.: acompanhamento de 6 trocas com torquímetro aferido

Causa raiz 2

interface com o pilar de Manutenção Planejada

Ex.: o procedimento de troca do conjunto nunca foi padronizado (interface PM). Bloqueio: gabarito de alinhamento + torque padrão + preventiva por condição no CMMS

Evidência

Ex.: trocas com alinhamento controlado duram 4× mais

3. Análise P-M — quando o Why-Why não fecha

perda crônica: volte ao fenômeno físico e liste TODAS as condições, mesmo as improváveis
Use o Why-Why quando a falha é esporádica, tem um antes e um depois claros e cada elo se sustenta em evidência — é o caminho mais rápido da causa à contramedida.
Use a análise P-M quando a perda é crônica: o fenômeno volta mesmo com as causas bloqueadas, tem várias condições atuando juntas ou nenhum elo isolado explica o dado. P = fenômeno (Phenomenon) físico; M = máquina, material, método e mão de obra.
Etapa da análise P-M O que preencher No seu projeto
1. Fenômeno
descrição física
Descreva o que acontece fisicamente no ponto, com a peça e o movimento reais — não o efeito no indicador.Ex.: os elos da corrente prendem no dente da coroa no instante da aceleração, gerando pico de tração e desarme do inversor
2. Princípios físicosQue princípio governa o fenômeno? Atrito, folga, dilatação, força, torque, vibração, viscosidade.Ex.: atrito metal-metal sem filme lubrificante → desgaste adesivo → alongamento do passo → interferência com o passo da coroa
3. Condições que produzem o fenômeno
4M
Liste todas as condições que, isoladas ou combinadas, produzem o fenômeno — inclusive as improváveis. Não filtre nesta etapa.Ex.: (Máquina) corrente sem filme de óleo · coroa com dente desgastado · desalinhamento entre eixos; (Material) graxa fora da especificação; (Método) rota não alcança o ponto · tensionamento sem critério; (Mão de obra) sem padrão de inspeção da corrente
4. Como medir / verificar cada condiçãoMétodo, instrumento e critério de aceitação de cada condição listada — o que é padrão e o que é desvio.Ex.: alongamento com régua de desgaste (limite 2% do passo); filme de óleo por inspeção visual a cada turno; alinhamento com relógio comparador (≤ 0,2 mm); temperatura do mancal com termômetro infravermelho (≤ 60 °C)
5. ContramedidaPara cada condição fora do padrão: restaurar, eliminar ou tornar impossível o desvio. Leve as ações pro 5W2H (P09).Ex.: ponto de lubrificação remoto (elimina a condição "opera seco"), CIL com inspeção da corrente por turno (detecta o desvio cedo) e troca da coroa junto com a corrente (elimina o desgaste combinado)

Causas raiz + teste de consistência

Ex.: as duas causas raiz explicam 71% das horas de quebra do tracionador — travamento por falta de lubrificação (30 dias sem ocorrência após o ponto remoto) e falha do rolamento por desalinhamento na troca (vida 4× maior com gabarito). Nenhuma parada registrada no período fica sem explicação.

Dica do especialista

Dois sinais de cadeia ruim: parar cedo demais (a "causa" ainda é sintoma — se a resposta for "falta de atenção", pergunte por quê de novo) e terminar em pessoa — cadeia que acaba em alguém esconde um porquê de método, máquina ou padrão. E não force o Why-Why em perda crônica de equipamento: quando o fenômeno tem várias condições atuando juntas, a cadeia linear sempre elege uma e erra. Aí o caminho é a análise P-M — descer ao fenômeno físico, listar todas as condições e medir uma a uma, mesmo as que o time acha improváveis.

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